quinta-feira, 23 de julho de 2015

Morning/Everning









Kieran Habden ou Four Tet – produtor e musico inglês. É um daqueles artistas que não compõe a sua trajetória por uma nota só. Muito pelo contrário, dotado de uma grande potencialidade criativa, suas obras imprimem mudanças constantes e que lhe conferem um predicado como marca essencial que está presente num tipo especial de artista; a capacidade de reinventar-se.
Suas composições reverberam o mais amplo domínio da técnica, bom gosto e uma dose de criatividade assoma-se a uma gama musical muito rica e diversificada, consagram uma magnitude ímpar. Kieran retira um sumo próprio e mescla a musicalidade em uma manifestação deveras abstrata – que cria algo diferente daquilo que é estabelecido como referencial.

Creio que o seu novo álbum lançado recentemente Morning/Evening de grande bom gosto e maturidade musical, evidencia tais particularidades. Para tanto, o álbum já bastaria por si só, por render uma sincera homenagem ao Solstício de verão; época do ano em que o sol incide com maior intensidade em dos dois hemisférios. O álbum alinha apenas duas faixas: Morning Side e Evening Side. Os dois lados somam quarenta minutos de duração. E é aí onde reside a representação e homenagem ao Solstício de verão, que marca o inicio do verão no hemisfério norte.

 Para os povos da antiguidade o que alcunha diferentes culturas efetuadas pela tradição de cultos em devoção ao sol; esotéricas, egípcias, fenícios e cosmologia grega. Os solstícios eram cultuados com uma propriedade divina ou ordem universal. O Solstício de verão determina que a duração do dia seja a mais longa do ano. Tal fenômeno era para os povos antigos a crença na permanência da luz do dia como vitória sobre a escuridão – à noite. Consequentemente a mais curta do ano, em termos de iluminação por parte do sol.

Por trás deste mundo criativo e simbólico - o primeiro lado e única faixa Morning Side. Aborda inicialmente uma pegada suave e ao mesmo tempo dinâmica, grassa uma quietude através do vocal feminino de um agudo aveludado e sonoridade oriental, adjacente a um minimalismo de variações que se articulam a novas interações mais contundentes e nos transubstanciam para um estado longevo, o som ganha propriedade em nossa mente e não mais no sentido da audição. O êxtase perpassa o segundo lado sem ruptura a linearidade e permanência que afirmam ainda mais o transcender abrigando harmonia e equilíbrio em contraparte um instigante quase cômico.

Por fim, para um artista conseguir imprimir sua marca na história de sua arte, é um fato inestimável que deve possuir acima de tudo: escuta atenta e capacidade de reinventar-se. O sol de fato decidiu abrir os olhos e iluminar por mais tempo este artista, que através do poder inigualável da música, não recua, um instante que seja. Sem duvida, um mestre.


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