quarta-feira, 10 de junho de 2015

Nascidos em Bordéis








Em fundamento primeiro o enredo do filme/documentário Nascidos em Bordéis trafega sobre a intervenção corajosa, da fotógrafa inglesa - Zana Briski que vai até o distrito da Luz Vermelha, Índia, doando-se ao coletivo que tinha a partir de então uma realidade incontrovertível. A intervenção da fotógrafa reside em um cenário, aonde a apropriação da infância e juventude conduz sua banalidade no sentido mais radical e violento possível. Esta banalidade erige devido a ações fomentadas no próprio seio do coletivo que perpetuam à bestialidade, à atrocidade, e crueldade.

O espanto é inevitável quando entramos em contato com a história e nos deparamos com as crianças do lugar sobre a iminência de perpetuarem gerações de garotas de programa. A iminência se dá, não apenas pela falta de oportunidade, mas pela única oportunidade e oferta de mercado vigente. O desvirtuamento justifica de maneira injustificável – toda uma geração crer neste destinamento. As crianças do distrito realizam trabalhos pesados, convivem em meio à prostituição de perto e, estão longe de usufruir de toda a virtude e liberdade dignas da infância. O próprio lugar e condição em si, já impede que isso aconteça.

No entanto as mínimas atitudes generosas podem inverter este lastro de irracionalidade. Aproximando-se através da fotografia, Zana Briski presenteia algumas crianças destacadas no filme com câmaras fotográficas. Orientadas sobre a funcionalidade básica de uma câmara, iniciam um exercício de fotografar. E nesse encontro, onde cada partilha da contemplação de seu olhar. A partir deste exercício se constrói uma interseção entre o subjetivo e realidade em que vivem.

O documentário nos obriga a meditar com acuidade numa questão desta relevância. Que ações com a da fotografa Zana Briski, fazem embrutecer o espírito da humanidade, estas ações podem permitir que os olhos vislumbrem uma saída agradável no futuro de crianças como as do distrito da Luz Vermelha. 



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