Em
fundamento primeiro o enredo do filme/documentário Nascidos em Bordéis trafega sobre a intervenção corajosa,
da fotógrafa inglesa - Zana Briski que vai até o distrito da Luz Vermelha,
Índia, doando-se ao coletivo que tinha a partir de então uma realidade
incontrovertível. A intervenção da fotógrafa reside em um cenário, aonde a
apropriação da infância e juventude conduz sua banalidade no sentido mais
radical e violento possível. Esta banalidade erige devido a ações fomentadas no
próprio seio do coletivo que perpetuam à bestialidade, à atrocidade, e crueldade.
O
espanto é inevitável quando entramos em contato com a história e nos deparamos
com as crianças do lugar sobre a iminência de perpetuarem gerações de garotas
de programa. A iminência se dá, não apenas pela falta de oportunidade, mas pela
única oportunidade e oferta de mercado vigente. O desvirtuamento justifica de
maneira injustificável – toda uma geração crer neste destinamento. As crianças
do distrito realizam trabalhos pesados, convivem em meio à prostituição de perto
e, estão longe de usufruir de toda a virtude e liberdade dignas da infância. O
próprio lugar e condição em si, já impede que isso aconteça.
No
entanto as mínimas atitudes generosas podem inverter este lastro de
irracionalidade. Aproximando-se através da fotografia, Zana Briski presenteia
algumas crianças destacadas no filme com câmaras fotográficas. Orientadas
sobre a funcionalidade básica de uma câmara, iniciam um exercício de fotografar.
E nesse encontro, onde cada partilha da contemplação de seu olhar. A partir
deste exercício se constrói uma interseção entre o subjetivo e realidade em que
vivem.
O
documentário nos obriga a meditar com acuidade numa questão desta relevância.
Que ações com a da fotografa Zana Briski, fazem embrutecer o espírito da
humanidade, estas ações podem permitir que os olhos vislumbrem uma saída
agradável no futuro de crianças como as do distrito da Luz Vermelha.

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