HIC ET NUNC - e o fim do mundo outra vez
No texto A Obra de Arte na Época de sua Reprodução Técnica, Walter Benjamim nos alertou sobre a fragmentação da obra em sua reprodução, a perda da arte em seu lugar de expressão. Desvalorizando o HIC ET NUNC (aqui e agora). Rompendo grilhões de preceitos tradicionais, os tempos de hoje fomentados pela onipresença da arte, permite-nos, por exemplo, acessar a Mona Lisa sem precisar ir ao Louvre, basta ter internet. Esta reprodução tal qual Benjamim se refere, bane a contemplação da arte em sua mais pura dimensão.
Sobretudo está concepção compõe elementos novos que de tanto deverem ao original se fragmentam em sua reprodução. Interessantemente uma referência antecessora superior conduz alguns filmes a se perpetuarem. Indago os filmes de tragédias catastróficas de fim do mundo, estes me incomodam, sei que existem gêneros: epidemias, invasão alienígena, e o próprio caos em si. A Lista maldita é enorme. O enredo normalmente trafega por uma topografia apocalíptica, a força deslumbrante da natureza precede vantajosamente para um grupo de pessoas, alguma edificação simbólica é posta abaixo - salvem-se quem puder!
Estes filmes se perpetuam e parecem indicar o nosso desejo pela contemplação do próprio fim na mais profunda radicalidade. Em Ser e tempo, Martin Heidegger traduz a compreensão: o ser para a morte. Sabemos que um dia morreremos, impreterivelmente podemos experienciar a nossa própria morte, apenas através da morte dos outros. Entendemos que o evento antecipado da própria morte nunca é por si só concretizado.
Apreciamos mesmo uma tragédia, de modo antagônico a dizimação da humanidade torna-se entretenimento, está visão reside numa relação genealógica - mas quanto aos filmes - são tantos... O interessante destas propostas para uma realidade menos drástica, é não se definirem em um próprio tempo histórico. Eu quero dizer que antes e depois do Dia depois de Amanhã o mundo já havia acabado.
GUSTIBUS NON DISPUTANDUM

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