Banksy e a Fenda do Paraíso
O pseudônimo ''Banksy'' corresponde a um artista inglês, anônimo. Diferentes dele, suas obras, sobretudo, dotadas de criatividade e sátira social estão expostas em ruas e metrópoles pelo mundo. Elaboradas através da técnica: estêncil, uma forma de ilustrar desenhos e grafites em diversas superfícies. Este artista é responsável, por uma das maiores intervenções urbanas do século XXI.
A obra que gostaria de destacar, elegida com dificuldade diante do acervo excepcional do artista. Trata-se de uma ilustração utilizando a técnica de estêncil e grafite, a obra compõe-se na ''Faixa de Gazá'' ilustrando uma espécie de fenda no muro da Cisjordânia. Através desta fenda, é possível enxergar um cenário tropical, além de mais duas crianças também ilustradas no muro segurando baldes e pincéis, e parecem ser os responsáveis pela fenda do paraíso. Oceano e vegetação litorânea estampam um contexto paradisíaco, que ao mesmo tempo, abriga certa dicotomia diante da hostilidade incessante, que por infelicidade dos residentes desta região - conflito e a sensação de guerra são uma característica cotidiana. A obra logo permeia este cenário conflituoso com uma miragem de esperança, possibilidades de um ideal além daquela realidade. O cognitivo de refúgio se faz presente na mente de pessoas que convivem ao lado do medo, e ao mesmo tempo coragem, pois o medo só pode ser vencido pelo seu enfrentamento. “Não existe coragem em apanhar um jornal no jardim de casa, mas se o jardim estiver num país que está em guerra e que está sendo continuamente bombardeado, então a simples tarefa de recolher o jornal – se é que ele será entregue – exigirá coragem”.
Então se pararmos para imaginar qual terá sido a sensação das pessoas deste lugar ao se depararem com a imagem. Torna-se difícil arriscar, mas a contemplação implica numa abordagem interpretativa da própria existência. Pessoas em tarefas cotidianas deve ter sido espantoso e impreterível, não projetar aquele ideal paradisíaco mentalmente.
As crianças presentes na obra imaginam-se terem recém praticado uma simples atividade infantil, a liberdade de pintar e criar. Por outro lado, procurando tomar a mais plena ciência de seu próprio processo criativo, o artista faz um mergulho profundo em sua alma e retira de lá as informações mais valiosas possíveis para o seu público bastante atípico daquela região, não é como Nova York ou Londres, onde a obra não carregaria consigo a polaridade entre o terrível e o belo.
Tratando de temporalidade, quando tratamos ao mesmo tempo de intervenções urbanas, a arte explicitada na rua. No caso em questão o próprio Banksy, e como exemplo: os seus grafites combinados à técnica de estêncil. Essas técnicas mantêm a autenticidade da obra, sobretudo sofrem certa ameaça pela ilegalidade da superfície que compõem. A própria tinta munida por alguém que negue aquilo por manifestação de arte, e sim de vandalismo poderá apagar por completo sua exposição. E outra ameaça, o inimigo de tudo que pretende viver, o tempo. Porém a modernidade, e a questão da originalidade da arte e de seu lugar de expressão, trazem consigo a desvalorização do Walter Benjamim chamava de hic et nunc ( o aqui e agora) que indica a perda da aura da obra de arte. Não é necessário mais deslocar-se pra outro país para ver uma pintura de Picasso: a internet permite que o quadro chegue até nós. A obra fragmenta-se em sua reprodução.
Para Benjamim esta reprodução subtrai da riqueza da obra o espetáculo essencial de trazer novas ideias, instigar, incomodar, levantar questionamentos. Somos pouco exigentes, bastando apenas uma boa fotografia em seus pixels mantidos para nos aproximarmos, o próximo nos contenta e permite que o todo da obra seja revelado.
A concepção de impressão desta ideia de impermanência que a modernidade nos causa, torna-se ao mesmo tempo uma impressão virtual, um pressuposto da real contemplação, porém torna a obra onipresente, sendo possível acessá-la de qualquer lugar, logo a obra esta em qualquer lugar, virtualmente falando.
Nesta obra há limitações de caráter estético, sobretudo ilimita-se quando antagoniza dogmas religiosos e morais. .A obra dita por si só, o seu processo de composição social e crítica, mas se julgarmos com acuidade, torna-se fácil perceber uma grandiosa metáfora ideológica. Sobretudo o ''pseudoparaíso'' num país de predominação religiosa islâmica e judaica, conservadores de outra amplitude artística poderiam interpretar como algo pós-vida. A ignorância de qualquer consideração moral, relativamente aos conflitos étnicos em torno desta terra, nunca deixou de ser admissível.
É necessário que uma minoria bastante sensível possa fazer juízo, através desta moralidade de vigilância e consciência e inconsciência coletiva de repressão. Seria necessário que se dispusesse de alternativas entre as quais escolherem julgar. Paradoxalmente dispõem informalmente de liberdade de escolher, pois o condicionamento que encontram no momento faz da escolha um ato sem liberdade.
Em meio as contradições naturais da obra, não nega-se que é convidativa a uma meditação sobre o real. Já que constrói uma relação entre o aqui e o além do muro.
A concepção de impressão desta ideia de impermanência que a modernidade nos causa, torna-se ao mesmo tempo uma impressão virtual, um pressuposto da real contemplação, porém torna a obra onipresente, sendo possível acessá-la de qualquer lugar, logo a obra esta em qualquer lugar, virtualmente falando.
Nesta obra há limitações de caráter estético, sobretudo ilimita-se quando antagoniza dogmas religiosos e morais. .A obra dita por si só, o seu processo de composição social e crítica, mas se julgarmos com acuidade, torna-se fácil perceber uma grandiosa metáfora ideológica. Sobretudo o ''pseudoparaíso'' num país de predominação religiosa islâmica e judaica, conservadores de outra amplitude artística poderiam interpretar como algo pós-vida. A ignorância de qualquer consideração moral, relativamente aos conflitos étnicos em torno desta terra, nunca deixou de ser admissível.
É necessário que uma minoria bastante sensível possa fazer juízo, através desta moralidade de vigilância e consciência e inconsciência coletiva de repressão. Seria necessário que se dispusesse de alternativas entre as quais escolherem julgar. Paradoxalmente dispõem informalmente de liberdade de escolher, pois o condicionamento que encontram no momento faz da escolha um ato sem liberdade.
Em meio as contradições naturais da obra, não nega-se que é convidativa a uma meditação sobre o real. Já que constrói uma relação entre o aqui e o além do muro.

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