segunda-feira, 6 de abril de 2015

Eterno Retorno - Uma questão teológica











O que Nietzsche quer dizer com “Deus está morto”, erige de um trecho que ele chama do Eterno Retorno.  Sua inquietação em primazia indagava qualidade de vida e o poder divino.
- Imagine se um dia você está em casa e surgi uma entidade. Você não a identifica por demoníaca ou divina, e está entidade lhe diz o seguinte – Vim lhe fazer uma grande revelação: Tudo isso que você viveu, tudo que está vivendo, tudo que vai viver. Irá se repetir eternamente. Em um livro póstumo chamado Vontade de Potência, Nietzsche diz o seguinte: Se o universo é uma quantidade de energia limitada, como que é hoje a física quântica. O universo está em expansão, possivelmente sofrerá uma retração, o que desencadeará outro BIG BANG. Se a quantidade de energia é limitada, todos os arranjos possíveis dentro deste universo também são limitados e, dentro destes arranjos tudo que estamos vivendo se repetirá. O demônio ou o anjo pergunta? Sabendo disso, irá ranger os seus dentes e acometido de tal condenação me amaldiçoará? Ou dará graças aos céus, pois tal palavra é uma benécia, uma fortuna ?

 Que as lamúrias se transformem em poesia, música, raiva ou revanche, é exatamente aceitável, mas o que Nietzsche está perguntando é! Sua vida está sendo bem vivida? Está sendo realizada da forma como você quer? Se não estiver, logo negará a possível repetição deste desconforto físico de existir.  No entanto se disser sim, minha vida está sendo bem vivida em toda sua potencialidade e boa ventura, que se repita por toda eternidade. 


Tal questionamento culmina para a genealogia que criticará a tradição judaica cristã. A questão essencial: Se existe um deus, e vamos imaginar que este deus seja verdadeiro e se comunique com as pessoas (sempre aqueles homens escolhidos por uma doutrina de virtude moral), onde está a verdade absoluta? Uma divindade não pode mentir, pois se mentir é um demônio e não divindade. É necessário analisar com acuidade para desvelar os meandros mais sutis da linguagem, até obter uma escuta atenta, para que se possa fazer juízo de razão verdadeira.  Sendo assim a verdade estaria no Baghavad Gita dos Hindus?  No Zend Avesta da Pérsia? Antigo Testamento, onde diz que só estavam salvos os Judeus? Alcorão, eis o último profeta Maomé. Ou no Livro da Lei de Aliester Crowley que diz: “faz tudo o que queres. É todo da lei”. Frase de Agostinho que Crowley transformou no fundamento moral do seu guia infalível para julgarmos se uma pessoa vive intensamente bem ou não.  Fica fácil perceber que este Deus parece está falando a verdade em vários escritos que se dizem sagrados. Nietzsche então dirá que este discurso seja qual for o DEUS, é sempre um discurso moral e histórico, não consiste em um discurso absoluto e eterno. Para este pensador a religião objetiva transformar a moral, que é algo efetivo de um determinado tempo histórico em algo absoluto e universal.  Ou seja: se realmente intermediários escreveram tal verdade absoluta, onde ela se encontra? Ou todos estão certos, daí então somos obrigados a reconhecer uma multiplicidade de Deuses.  Ou todos estão errados, apenas um está certo. E está seria a religião universal.

Por ser filólogo Nietzsche analisou o sentido primeiro de quando se pensou sobre moral, voltando ao sentindo originário das palavras bom e mau, onde há uma distinção de cunho prático.  O sentindo de bom  (ἀγαθὸς- agathos) na antiguidade, desde o Thoth, ou Amenophis IV no Egito Antigo, Grécia antiga, Mesopotâmia, babilônia, etc. Atribuía: belo, rico, potente, corajoso, amado dos deuses e aquele que ama sua vida. Já mau (Κάκος- kákos) atribuía: feio, pobre, impotente, covarde, não ama sua vida e não é amado dos deuses.  

O exemplo mais adequado ao qual Nietzsche faz referência, está no Canto I da Odisséia de Homero que narra à história de tal Ulisses, o nome grego é Odysseus, mas foi traduzido pela tradição latina por Ulisses.  A Odisséia trata-se do regresso de Ulisses pra Ilha de casa após a Guerra de Tróia. Ulisses fingiu está acometido de insanidade, para escapar da Guerra, mas sobre a circunstância de assassinar o seu próprio filho para atestar sua loucura, se provou lúcido. Levado muito à contra gosto, pois em Ítaca tinha uma esposa belíssima chamada Penélope, que recém tinha dado luz ao seu filho Telêmaco.
Ulisses foi quem pensou o Cavalo de Tróia e o seu heroísmo advêm deste feito, que inverteu vantajosamente a posição na guerra contra os troianos.  Terminada a guerra, Ulisses em seu retorno pra Ítaca enfrentou algumas dificuldades no percurso. Fere a visão de um dos Ciclopes favoritos de Poseidon, que como punição obriga Ulisses, que nada mais tinha em mente, a não ser o regresso para Ítaca.  Naufragar na Ilha de Calipso, porção de terra de uma topografia exuberante, na qual reside Calipso uma deusa também exuberante, que logo se apetece pelo herói Ulisses. Além de oferecer a si mesma, Ulisses desfruta das diversas maravilhas da Ilha. Todos os prazeres que consagram o Agáthos, a serviço do mortal afortunado.  Mesmo diante de tais prazeres, que muitos considerariam serem impreteríveis para uma vida boa. Ulisses era acometido por desventura, a falta se fazia presente. A vida boa para Ulisses era sem dúvida em Ítaca, de onde nunca teria saído. 

No entanto, Athena, a deusa dos olhos brilhantes, sente o coração confrangido ao relembrar a sorte do grande Ulisses e pede a Zeus para interferir em seu auxilio. Calipso na iminência de perder o seu mortal tão amado, oferece a Ulisses a eternidade e juventude.  Diante de tal barganha gloriosa.  Zeus, o deus supremo, reconhece um poder que lhe é ainda maior: O destino. Os gregos sabiam que se a humanidade desaparecesse, os deuses também desapareceriam. E Zeus cioso desta realidade. Interviu positivamente na vida de Ulisses, libertando-o de seu cativeiro imposto por Poseidon, fazendo-o retornar para a sua terra natal, a Ilha de Ítaca como assim desejava.

Assim como atesta Homero na figura de Ulisses. Nietzsche compreendeu que os sacerdotes judeus nada mais fizeram do que inverter a moral. O Deus judeu ama, agora quem antes era considerado mau: o fraco, o covarde( a base do Deus, segundo a bíblia, é o temor), o escravo, aquele que despreza o seu corpo passam a ser considerados bons.
A Grécia antiga sempre foi pontuada pela celebração em toda sua potencialidade. Sobretudo quando adota o cristianismo de forma definitiva, é norteadora do dizer cristão. Peca-se agora até em pensamento. Religar-se com a divindade, significa religar-se moralmente à mesma: A moral agora é a base para o alicerce superior, a salvação. Mas de fato, devemos nos salvar de quê? Para maioria das religiões devemos nos salvar das tentações do mundo. O mal está na carne, no corpo que é a passagem para os prazeres que devem agora ser evitados como a própria encarnação do mal em si. Deve-se então abandonar o mundo, o corpo e todos os prazeres que agora são imundos.

Sem mais delongas, só há pecado quando se estabelece um padrão de conduta moral erigido por determinada divindade. E todo aquele que rege sua conduta de forma dissonante, significa agir de modo contrário à divindade. Deverá ser punido, e mesmo que a gravidade de sua ação contrária seja algo cometido numa temporalidade finita. Expurgar-se o mal como o  próprio sofrimento, e um castigo eterno.É realmente muito amorosa essa religião.

Antecipo minhas desculpas - e faço isso com educação para quem se sentir ofendido com algumas coisas escritas aqui.  É da natureza humana se melindrar muito facilmente e este não é, nem de longe, o meu intuito. Golpes de martelo são úteis, mas apenas para os fortes. 


Incipit Tragoedia: Que assim seja!

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