segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A Genealogia da Moral de Nietzsche





Uma benécia da natureza ocorre quando alguns indivíduos de uma potencialidade tremenda passam a existir e, sobretudo pensarem. Cada um Despeja sobre nossas cabeças uma contribuição através de suas teorias, princípios e argumentações na maioria das  vezes concentradas em seus escritos. Por exemplo, a moral que sempre ocupou um lugar privilegiado sobre esses dizeres abrangentes, nos levam a pensar a dimensão em que o homem se relaciona consigo mesmo e com os outros. Platão,Aristóteles, Espinosa e Kant são referências no pensamento filosófico da moral. Dentre tantos, destacarei 
Friedrich Nietzsche e sua obra, o livro “Genealogia da Moral”

Na compreensão de Nietzsche todo o discurso religioso objetiva transformar a moralidade que faz parte de uma efetividade de um determinado tempo histórico em algo absoluto, universal e eterno. 
Nietzsche trafega pela hermenêutica e etimologia das palavras ‘bom e mau’ Era filólogo e logo chegou ao esclarecimento de que bom (Agathos) pelo qual na antiguidade a atribuição de valores referia-se - o nobre, aristocrático, superior, rico digno do desabrochar da natureza. Realizando sempre os seus prazeres de modo superlativo e amado dos deuses. Quanto o mau (Kakos) define-se em oposição - escravo, plebeu, acometido de desventura, infelicidade, desafortunado pela negação dos deuses.

Nietzsche se propôs a analisar com acuidade de forma genealógica as raízes da moral judaico-cristã, que promoveu uma inversão dos valores, ineditamente atribuiu sentido ultrajante à palavra mundo reprimindo todas as características que consagram o Agathos, dando lugar ao plebeu, pobre, algo conveniente para o povo judaico. “Os judeus povo nascido para escravidão” como era para antiguidade . De modo que a rebelião da moral iniciou-se com os judeus, indicando que a alma transcende de um estado inferior para um superior além da materialidade, além deste mundo. Interessantemente, não muito distante do platonismo que prega a ideia de uma evolução material à forma, arraigado a compreensão filosófica grega em sua essência: teleologia. Que indica o escopo, plenitude, a causa final das coisas. Conceito que mais tarde adquiriria evidência espiritual como advento do cristianismo.

Muitos daqueles que apreciam os escritos de Nietzsche, e são muitos, considerarão que sua obra mais notável é o livro Assim falou Zaratustra e a figura do “ubermach” um super homem da moral. Outros o chamarão de louco,acusarão por endossar o nazismo. Injustiça desses detratores com um dos homens mais lúcidos que já existiram. E Hitler imperativo categórico deformado deve ter interpretado de forma trágica o Zaratustra.

Quem encorajar-se por desbravar as páginas da  obra Genealogia da moral ou qualquer outra deste autor contemplará um discurso turvo, paradoxalmente sedutor. Enquanto o silencio paira, resultante da reflexão dos pequenos parágrafos, e textos por intermédio de aforismos... Releia e releia até que finalmente exclamarás uma das compreensões mais profundas da moral.