quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Frankfurtianos









A dialética negativa de Theodor Adorno exige tamanha elucubração, sua escrita nada melindrada me impediu de avançar os seus parágrafos. Me faz lembrar Nietzsche que dizia que os seus escritos não abrigavam verdades válidas para todos, apenas interpretações e que sua autoridade advinha do fato de ninguém o entender. Com Adorno é a mesma coisa. Sobretudo a dedicação de esclarecer uma escrita densa soa desafiador. 

Conheci o pensamento da escola de Frankfurt, no primeiro ano graduando comunicação social, era parada obrigatória a disciplina Teoria da comunicação. A docente Verônica Fox oriunda do Equador quem era emissora, e sobre vestígio atávico de um sotaque portunhol, fui receptor da mensagem: Teoria Hipodérmica, ruído, efeito cognitivo, funcionalismo, Escola de Frankfurt, Dialética Negativa, etc. Interessantemente Dialética Negativa chamou atenção– Não imaginava o que teria para desbravar.A dialética de adorno reage de forma dicotômica em relação à dialética positiva de Hegel. Quanto à estética hegeliana,é unânime em apenas um sentido – o fim da arte! Para os Frankfurtianos. “Negas na estreita do ponto em que afirmas ideologicamente”. Na sua dialética negativa, Theodor Adorno nos ensinou a ter cuidado com a perspectiva da dialética hegeliana que conduziu um visão totalitária, o marxismo. A razão acaba por se tornar instrumental, o diferente deve agora transformar-se em idêntico. O mesmo domina o homem e a natureza. Autoritarismo sobre o outro, covardia de modo a atingir um totalitarismo de grupo fechado. 

Os frankfurtianos eram mesmo dotados de visões apocalípticas, todos devedores de Marx embora nunca tenham feito uso de metodologia profética, a obra Teoria Crítica a concepção da indústria cultural traduzem o nosso capitalismo pós-moderno onde tudo se transforma em algum tipo de indústria: pornográfica, alimentícia e até mesmo cultural. Recentemente percebi até mesmo a frutuosa indústria ufológica. Voluntários que se propõem a estupidez de afirmar terem sido abduzidos, seres extraterrestres parecem sempre se apetecer por zonas rurais, onde normalmente são vistos e normalmente é pouco povoado. Não descarto a possibilidade de outros seres, apenas contesto o sensacionalismo para um evento que nem ao menos se sustenta por si só, por uma evidência concreta. Há vida alienígena, já que nunca provaram o contrário. Todavia, afirma-se que existe alieníginas pelo simples fato de que não provamos que eles ainda não existem. Para tanto, basta analisar estamos na iminência do pensamento heterodirigido, estamos condicionados a negar filtragem,num século em que os navegadores se tornaram oráculos, prático este nosso contentamento com tão pouco. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A Genealogia da Moral de Nietzsche





Uma benécia da natureza ocorre quando alguns indivíduos de uma potencialidade tremenda passam a existir e, sobretudo pensarem. Cada um Despeja sobre nossas cabeças uma contribuição através de suas teorias, princípios e argumentações na maioria das  vezes concentradas em seus escritos. Por exemplo, a moral que sempre ocupou um lugar privilegiado sobre esses dizeres abrangentes, nos levam a pensar a dimensão em que o homem se relaciona consigo mesmo e com os outros. Platão,Aristóteles, Espinosa e Kant são referências no pensamento filosófico da moral. Dentre tantos, destacarei 
Friedrich Nietzsche e sua obra, o livro “Genealogia da Moral”

Na compreensão de Nietzsche todo o discurso religioso objetiva transformar a moralidade que faz parte de uma efetividade de um determinado tempo histórico em algo absoluto, universal e eterno. 
Nietzsche trafega pela hermenêutica e etimologia das palavras ‘bom e mau’ Era filólogo e logo chegou ao esclarecimento de que bom (Agathos) pelo qual na antiguidade a atribuição de valores referia-se - o nobre, aristocrático, superior, rico digno do desabrochar da natureza. Realizando sempre os seus prazeres de modo superlativo e amado dos deuses. Quanto o mau (Kakos) define-se em oposição - escravo, plebeu, acometido de desventura, infelicidade, desafortunado pela negação dos deuses.

Nietzsche se propôs a analisar com acuidade de forma genealógica as raízes da moral judaico-cristã, que promoveu uma inversão dos valores, ineditamente atribuiu sentido ultrajante à palavra mundo reprimindo todas as características que consagram o Agathos, dando lugar ao plebeu, pobre, algo conveniente para o povo judaico. “Os judeus povo nascido para escravidão” como era para antiguidade . De modo que a rebelião da moral iniciou-se com os judeus, indicando que a alma transcende de um estado inferior para um superior além da materialidade, além deste mundo. Interessantemente, não muito distante do platonismo que prega a ideia de uma evolução material à forma, arraigado a compreensão filosófica grega em sua essência: teleologia. Que indica o escopo, plenitude, a causa final das coisas. Conceito que mais tarde adquiriria evidência espiritual como advento do cristianismo.

Muitos daqueles que apreciam os escritos de Nietzsche, e são muitos, considerarão que sua obra mais notável é o livro Assim falou Zaratustra e a figura do “ubermach” um super homem da moral. Outros o chamarão de louco,acusarão por endossar o nazismo. Injustiça desses detratores com um dos homens mais lúcidos que já existiram. E Hitler imperativo categórico deformado deve ter interpretado de forma trágica o Zaratustra.

Quem encorajar-se por desbravar as páginas da  obra Genealogia da moral ou qualquer outra deste autor contemplará um discurso turvo, paradoxalmente sedutor. Enquanto o silencio paira, resultante da reflexão dos pequenos parágrafos, e textos por intermédio de aforismos... Releia e releia até que finalmente exclamarás uma das compreensões mais profundas da moral.