segunda-feira, 28 de setembro de 2015

CONTROL









Control  - A História de Ian Curtis, não é um filme apenas para fãs da banda inglesa Joy Division, mas para todos aqueles que apreciam uma boa película biográfica.  Na verdade, apesar de tratar da banda, o filme centra-se na figura depressiva do vocalista Ian Curtis. Numa trajetória meteórica e velocíssima, Curtis imprimiu ao rock inglês um espírito existencialista que até então não se encontrava presente nas músicas dos jovens de sua época. Isso é tão verdade, que o filme abre com Curtis (Sam Riley) questionando-se alguns elementos que compõem o caráter existencialista. “A existência... bem... o que importa? Eu existo da melhor forma possível. O passado, agora, faz parte de meu futuro. O presente está fora de controle”.

O filme, dirigido por Anton Corbjin foi filmado inteiramente em preto e branco, o que elevou à estética e acentuou o caráter nostálgico e melancólico da película. O clima nebuloso de Manchester e seus cidadãos soturnos ganham relevância com esta escolha do diretor e o tom narrativo confessional com que o filme se desenrola – como se o próprio Curtis estivesse nos falando através de seus pensamentos suas angústias e dúvidas – além de agigantar a tristeza que foi a vida desse poeta do minimalismo inglês. Foram poucas letras deixadas por Curtis, mas todas com um alcance que impressiona por sua sinceridade e profundidade.

Control narra a trajetória do Joy Division desde o início como uma banda punk que se intitulava Warsaw até o trágico suicídio de Ian Curtis, então com 23 anos de idade em 1980. Para quem conhece a banda e assiste ao filme, parece quase impossível não ficar impressionado com a semelhança dos atores com os integrantes originais da banda. Além disso, são os próprios atores que tocam nas cenas em que a banda se apresenta. Para quem conhece a filmagem original do Joy Division tocando She´s lost Control na BBC e se depara com os atores interpretando esse momento, não há como não ficar admirado.

Mas o filme não se resume a uma versão bem feita do original. O roteiro se baseia no livro de memórias de Débora Curtis, a esposa de Ian Curtis. Ela narra o lado profissional do músico, suas crises de epilepsia (interessante notar que Curtis, vez ou outra, tinha crises epilépticas no palco e todos pensavam que era encenação e que fazia parte do show. Renato Russo, da Legião Urbana, não só se vestia idêntico a Curtis como dançava igual ao mesmo, quase como uma crise), sua infidelidade amorosa, suas depressões e, por fim, seu suicídio. Esse toque humaniza o mito e dá uma dimensão mais interessante à filmagem como um todo.

Recomendo.