Control - A História de Ian Curtis, não é um filme apenas para fãs da
banda inglesa Joy Division, mas para todos aqueles que apreciam uma boa película
biográfica. Na verdade, apesar de tratar
da banda, o filme centra-se na figura depressiva do vocalista Ian Curtis. Numa
trajetória meteórica e velocíssima, Curtis imprimiu ao rock inglês um espírito
existencialista que até então não se encontrava presente nas músicas dos jovens
de sua época. Isso é tão verdade, que o filme abre com Curtis (Sam Riley)
questionando-se alguns elementos que compõem o caráter existencialista. “A
existência... bem... o que importa? Eu existo da melhor forma possível. O
passado, agora, faz parte de meu futuro. O presente está fora de controle”.
O filme, dirigido por Anton Corbjin foi filmado inteiramente em preto e
branco, o que elevou à estética e acentuou o caráter nostálgico e melancólico
da película. O clima nebuloso de Manchester e seus cidadãos soturnos ganham
relevância com esta escolha do diretor e o tom narrativo confessional com que o
filme se desenrola – como se o próprio Curtis estivesse nos falando através de
seus pensamentos suas angústias e dúvidas – além de agigantar a tristeza que
foi a vida desse poeta do minimalismo inglês. Foram poucas letras deixadas por
Curtis, mas todas com um alcance que impressiona por sua sinceridade e
profundidade.
Control narra a trajetória do Joy Division desde o início como uma banda punk
que se intitulava Warsaw até o trágico suicídio de Ian Curtis, então com 23
anos de idade em 1980. Para quem conhece a banda e assiste ao filme, parece
quase impossível não ficar impressionado com a semelhança dos atores com os
integrantes originais da banda. Além disso, são os próprios atores que tocam
nas cenas em que a banda se apresenta. Para quem conhece a filmagem original do
Joy Division tocando She´s lost Control na BBC e se depara com os atores
interpretando esse momento, não há como não ficar admirado.
Mas o filme não se resume a uma versão bem feita do original. O roteiro
se baseia no livro de memórias de Débora Curtis, a esposa de Ian Curtis. Ela
narra o lado profissional do músico, suas crises de epilepsia (interessante
notar que Curtis, vez ou outra, tinha crises epilépticas no palco e todos
pensavam que era encenação e que fazia parte do show. Renato Russo, da Legião
Urbana, não só se vestia idêntico a Curtis como dançava igual ao mesmo, quase
como uma crise), sua infidelidade amorosa, suas depressões e, por fim, seu
suicídio. Esse toque humaniza o mito e dá uma dimensão mais interessante à
filmagem como um todo.
Recomendo.
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