quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

_ _ _ _ _ EXPLICA











Costumo dizer que a natureza vez ou outra nos brinda com indivíduos de uma potencialidade tremenda. Embora tenham uma breve passagem aqui na terra, contribuem com uma impressão imortal.  Usei está introdução para falar de Nietzsche com sua obra Genealogia da Moral, sem dúvida uma das análises mais profundas e instigantes já elaboradas, investigando uma moralidade atávica, propondo que forças inconscientes regem-nos de tal maneira a nos conduzir, quando acreditávamos sermos nós, os mandantes de si mesmos. Nietzsche antecipa a obra o Mal-estar na civilização.

Outro senhor de coragem agigantada que se propõe a romper tradições que precedem uma cultura e que acredito ter estendido está visão de Nietzsche. Chama-se: Sigmund Freud - sua síntese tem o alcance maior do pensamento enquanto descoberta do seu lugar próprio, vasculhando um universo profundo, comprando briga com uma tradição conservadora inteira em favor do seu pensamento num tempo em que todo discurso só podia ser levado a sério se sua funcionalidade findada tivesse aplicabilidade universal.  Este indivíduo teve que justificar-se perante o universal... Como provar aquilo que ninguém nunca teve ouvidos para ouvir? E nenhuma boca beijou – com o seu sádico oral ou complexo de Édipo que quase o obrigava a abandonar suas pesquisas. Eis a questão! Deveríamos dizer: É desta forma que tal fato ocorre, sobre tais condições e circunstâncias experenciadas. A própria inibição do ser incumbe de realizarmos a potência em toda sua dimensão primeira – “Não somos senhores em nossa própria casa’’.

Sobretudo Freud inaugura um pensamento original onde a subjetividade é questionada. Conduz-nos para um lado sombrio do qual não temos acesso com o Id, esclarece-nos a formação do Ego e diz que moral conflita nossas inclinações e desejos, moderado pela esfera do Superego. Vivemos em luta contra si. Freud afirma fatores existentes para a contribuição destes conflitos, vigentes da nossa infelicidade: O poder superior da natureza, a fragilidade dos nossos corpos e a inadequação das exigências morais (deveres) com nossos desejos (inclinações). Nesse momento derivamos as necessidades religiosas.

 Num curto texto O futuro de uma ilusão, Freud afirma que religião trata-se de uma neurose coletiva da humanidade. Que surge desde o desamparo do bebê e do anseio pelo pai, permanecendo no adulto pelo medo do poder superior do destino. Está derivação origina-se de cunho religioso moral. Temos um Deus pessoal, assim como um pai que podemos acessá-lo a qualquer instante, amenizando está amalgama, provendo de sentimento como amor e proteção. E ao mesmo tempo pode ser severo e punir. Segundo Freud está relação simbólica com um Deus invisível, é na realidade uma projeção de uma realidade inconsciente – e as necessidades e temores abrangem uma lógica consciente.. Em termos freudianos – o ego nunca anti qualquer pretexto mecanicamente psíquico de defesa, quer deixar de SER. Nesta tormenta condicionam-se mecanismos a uma exterioridade. Nada mais útil que criar um Deus eterno, que criou uma parte minha também eterna: a alma, onde a morte é mera ilusão. Abrigando todas as religiões que preconizam vida após a morte, e são quase todas. Até mesmo o Budismo que tem como realização o estado NIRVANA neste mundo e trata-se de uma religião agnóstica, fala numa felicidade após a morte.

Bom, temos ai um pouco de  Freud... Que acrescenta – que quem delira em grupo não sabe que está delirando. É um mecanismo útil para o homem.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

HIC ET NUNC - e o fim do mundo outra vez










No texto A Obra de Arte na Época de sua Reprodução Técnica, Walter Benjamim nos alertou sobre a fragmentação da obra em sua reprodução, a perda da arte em seu lugar de expressão. Desvalorizando o HIC ET NUNC (aqui e agora). Rompendo grilhões de preceitos tradicionais, os tempos de hoje fomentados pela onipresença da arte, permite-nos, por exemplo, acessar a Mona Lisa sem precisar ir ao Louvre, basta ter internet. Esta reprodução tal qual Benjamim se refere, bane a contemplação da arte em sua mais pura dimensão.

Sobretudo está concepção compõe elementos novos que de tanto deverem ao original se fragmentam em sua reprodução. Interessantemente uma referência antecessora superior conduz alguns filmes a se perpetuarem. Indago os filmes de tragédias catastróficas de fim do mundo, estes me incomodam, sei que existem gêneros: epidemias, invasão alienígena, e o próprio caos em si. A Lista maldita é enorme. O enredo normalmente trafega por uma topografia apocalíptica, a força deslumbrante da natureza precede vantajosamente para um grupo de pessoas, alguma edificação simbólica é posta abaixo - salvem-se quem puder!

 Estes filmes se perpetuam e parecem indicar o nosso desejo pela contemplação do próprio fim na mais profunda radicalidade. Em Ser e tempo, Martin Heidegger traduz a compreensão: o ser para a morte. Sabemos que um dia morreremos, impreterivelmente podemos experienciar a nossa própria morte, apenas através da morte dos outros. Entendemos que o evento antecipado da própria morte nunca é por si só concretizado.

Apreciamos mesmo uma tragédia, de modo antagônico a dizimação da humanidade torna-se entretenimento, está visão reside numa relação genealógica - mas quanto aos filmes - são tantos... O interessante destas propostas para uma realidade menos drástica, é não se definirem em um próprio tempo histórico. Eu quero dizer que antes e depois do Dia depois de Amanhã o mundo já havia acabado.



GUSTIBUS NON DISPUTANDUM

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Bansky e a Fenda do Paraíso








O pseudônimo ''Banksy'' corresponde a um artista inglês. Diferentes dele, suas obras não se reservam ao anonimato, dotadas de imensa criatividade e uma verve satírica social estão expostas em ruas e metrópoles pelo mundo. Elaboradas através da técnica: estêncil, uma forma de ilustrar suas expressões em diversas superfícies. Este artista é responsável, por uma das maiores intervenções urbanas do século XXI.

A obra que gostaria de destacar, elegida com dificuldade diante do acervo excepcional do artista. Trata-se de uma ilustração utilizando a técnica de estêncil e grafite, a obra compõe-se na ''Faixa de Gazá'' ilustrando uma espécie de fenda no muro da Cisjordânia. Através desta fenda, é possível enxergar um cenário tropical, além de mais duas crianças também ilustradas no muro segurando baldes e pincéis, e parecem ser os responsáveis pela fenda do paraíso. Oceano e vegetação litorânea estampam um contexto paradisíaco, que ao mesmo tempo, abriga certa dicotomia diante da hostilidade incessante, que por infelicidade dos residentes desta região - conflito e a sensação de guerra são uma característica cotidiana. A obra logo permeia este cenário conflituoso com uma miragem de esperança, possibilidades de um ideal além daquela realidade. O cognitivo de refúgio se faz presente na mente de pessoas que convivem ao lado do medo, e ao mesmo tempo coragem, pois o medo só pode ser vencido pelo seu enfrentamento. “Não existe coragem em apanhar um jornal no jardim de casa, mas se o jardim estiver num país que está em guerra e que está sendo continuamente bombardeado, então a simples tarefa de recolher o jornal – se é que ele será entregue – exigirá coragem”.
Então se pararmos para imaginar qual terá sido a sensação das pessoas deste lugar ao se depararem com a imagem. Torna-se difícil arriscar, mas a contemplação implica numa abordagem interpretativa da própria existência. Pessoas em tarefas cotidianas deve ter sido espantoso e impreterível, não projetar aquele ideal paradisíaco mentalmente.

As crianças presentes na obra imaginam-se terem recém praticado uma simples atividade infantil, a liberdade de pintar e criar. Por outro lado, procurando tomar a mais plena ciência de seu próprio processo criativo, o artista faz um mergulho profundo em sua alma e retira de lá as informações mais valiosas possíveis para o seu público bastante atípico daquela região, não é como Nova York ou Londres, onde a obra não carregaria consigo a polaridade entre o terrível e o belo.


Tratando de temporalidade, quando tratamos ao mesmo tempo de intervenções urbanas, a arte explicitada na rua. No caso em questão o próprio Banksy, e como exemplo: os seus grafites combinados à técnica de estêncil. Essas técnicas mantêm a autenticidade da obra, sobretudo sofrem certa ameaça pela ilegalidade da superfície que compõem. A própria tinta munida por alguém que negue aquilo por manifestação de arte, e sim de vandalismo poderá apagar por completo sua exposição. E outra ameaça, o inimigo de tudo que pretende viver, o tempo. Porém a modernidade, e a questão da originalidade da arte e de seu lugar de expressão, trazem consigo a desvalorização do Walter Benjamim chamava de hic et nunc o aqui e agora) que indica a perda da aura da obra de arte. Não é necessário mais deslocar-se pra outro país para ver uma  pintura de Picasso: a internet permite que o quadro chegue até nós. A obra fragmenta-se em sua reprodução.
Para Benjamim esta reprodução subtrai da riqueza da obra o espetáculo essencial de trazer novas ideias, instigar, incomodar, levantar questionamentos. Somos pouco exigentes, bastando apenas uma boa fotografia em seus pixels mantidos para nos aproximarmos, o próximo nos contenta e permite que o todo da obra seja revelado.
A concepção de impressão desta ideia de impermanência que a modernidade nos causa, torna-se ao mesmo tempo uma impressão virtual, um pressuposto da real contemplação, porém torna a obra onipresente, sendo possível acessá-la de qualquer lugar, logo a obra esta em qualquer lugar, virtualmente falando.


Nesta obra há limitações de caráter estético, sobretudo ilimita-se quando antagoniza dogmas religiosos e morais. .A obra dita por si só, o seu processo de composição social e crítica, mas se julgarmos com acuidade, torna-se fácil perceber uma grandiosa metáfora ideológica. Sobretudo o ''pseudoparaíso'' num país de predominação religiosa islâmica e judaica, conservadores de outra amplitude artística poderiam interpretar como algo pós-vida. A ignorância de qualquer consideração moral, relativamente aos conflitos étnicos em torno desta terra, nunca deixou de ser admissível.
É necessário que uma minoria bastante sensível possa fazer juízo, através desta moralidade de vigilância e consciência e inconsciência coletiva de repressão. Seria necessário que se dispusesse de alternativas entre as quais escolherem julgar. Paradoxalmente dispõem informalmente de liberdade de escolher, pois o condicionamento que encontram no momento faz da escolha um ato sem liberdade.
Em meio as contradições naturais da obra, não nega-se que é convidativa a uma meditação sobre o real. Já que constrói uma relação entre o aqui e o além do muro.

Pescar e Escrever







Aqui buscarei uma breve genealogia, partindo de uma efetividade histórico-política conduzida pelo velho Marx.


No comunismo, segundo Marx, em metologia profética teremos a expressão positiva da superação da propriedade privada. Numa carta para Engels, Marx afirma que estabelecido o comunismo no mundo, ele trabalharia de dia, pescaria à tarde e escreveria crítica à noite. O sonho de um comunista parece ser de fato de um pequeno burguês. Realmente paradoxal diante do que manifesta em sua obra "O Capital" inegável sua genialidade e contribuição, mais valia, compreensão do salários, etc.

Sobretudo se podemos acusar Nietzsche de endossar o Nazismo,completa falácia,Hitler um intelectual demasiado deformado deve ter entendido de modo estranho o Super Homem da moral, figura do Zaratustra.

O que me pergunto é, por que ninguém nunca criticou os existencialistas Camus e Sartre por endossar a atrocidades de Stalin? Na verdade Bauman, de modo sútil. No caso dos comunistas ou aqueles que se dizem de esquerda num mundo em que tudo é centro, irão sempre atrás de mais uma utopia para acreditar e dar sentido a suas vidas.